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quinta-feira, 10 de março de 2011
de minha filha Luciana para mim
minha mãe é toda áfrica
aprendi que minha mãe é preta
na verdade ela é áfrica: tem preto e branco nela
na minha mãe tem coisa grossa, densa, minha mãe é muda.
da muda da minha mãe deu muita árvore grande
minha mãe preta e branca foi minha ama de leite e minha sinhá
minha áfrica de casa
cheia de rituais, giros e gritos
guarda muito bem uma mansidão de paquiderme sonsa
é deleite pra muito país, muito homem e muita mulher
da minha áfrica ninguém tirou os diamantes
ela nem deixa ver
minha mãe é tanta ancestralidade que é mais fácil morar com minha vó
minha mãe é tanto tambor que é difícil acalmar o coração
a minha áfrica é minha mãe
a minha mãe é minha
quando não for minha queria que fosse toda diamante
queria que minha mãe fosse enterrada na África
e ela acabou de me ligar....
sábado, 26 de fevereiro de 2011
FALTOU!
domingo, 30 de janeiro de 2011
A faixa
Admiro a calma que exala e acolho a paz e deixo-a desfilar em mim tranquilamente, como um adolescente numa faixa de pedestre
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
O desperdício da poesia ou a despedir a poesia
Desperdiçar poesia , despedir a poesia
Para despedaçar o ego.
Guardar o segredo exposto na caixa que não vai pandorar.
Que não vai servir à esperança de manter o morto vivo na desilusão da finitude.
A poesia guarda o que não vomitou o ego para na próxima viagem nutrir a sombra da inocência.
A poesia rege a dança do mau agoro, do mal agora.
A poesia destroça e distorce o tempo do fim.
A poesia tem fome de ignorância.
Falta amor para a poesia.
A poesia cresce com a tempestade da mente.
A poesia é poente fixo, sem abrir chance para o ciclo.
A poesia encarcera o ser da sede da vida.
A poesia envenena o vento que aspira a liberdade.
A poesia prende o dente para a comida.
Jogar poesia fora é fruto de ser agora.
Despedir a poesia é pagar as contas da poesia.
Guardar o segredo é matar a poesia.
Matar o morto até o fim é sacralizar a não poesia.
Matar a poesia é acender a luz da inocência.
Eu matei a poesia.
Suely Andrade.
20 de março de 2009.